E aí, vamos de táxi?

Foto: Fabio Vinícius, Monica Lupatin Cavenaghi e Walter Sato.


Tempo de leitura: 6 minutos
Escrito por Monica Lupatin Cavenaghi
Edição: Guilherme Rocha
Contato: guilherme@cavenaghi.com.br


A promulgação da Lei Brasileira de Inclusão (LBI) foi um avanço e tanto para a garantia dos direitos das pessoas com deficiência. A nova lei, publicada em julho de 2015 e em vigor desde janeiro de 2016, consolida uma série de regras que, colocadas em prática, serão fundamentais para melhorar não apenas o dia a dia dessas pessoas, mas de toda a sociedade, na medida em que a torna mais justa e igualitária. Será um Brasil melhor de se viver.

É sempre bom lembrar que, de acordo com o Censo Demográfico 2010, realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), cerca de 23,9% da população tem algum tipo de deficiência visual, física, auditiva ou intelectual. Em 2010, este percentual representava mais de 45 milhões de pessoas. Deste total, cerca de 7% tinha algum tipo de deficiência severa, apresentando algum grau de dependência.

Foi pensando neste grupo e em seu direito de ir e vir que foram criados os artigos 51 e 52 da LBI. O primeiro determina que as frotas de táxi devem reservar 10% de seus veículos acessíveis as pessoas com deficiência, proibindo tarifas diferenciadas para este público e autorizando o poder público a oferecer incentivos fiscais para a formação desta frota.

Já o artigo 52 aponta que as locadoras de veículos são obrigadas a contar com um veículo adaptado para uso de uma pessoa com deficiência a cada 20 veículos de sua frota. Ele determina ainda as condições mínimas para que se considere um veículo adaptado: câmbio automático, direção hidráulica, vidros elétricos e comandos manuais de aceleração e frenagem.

Como toda lei recente, a LBI também é passível de discussões e adaptações, à medida em que ela vai se ajustando à realidade. Mas para que isso ocorra, é preciso que ela seja, antes de mais nada, implementada de fato. Dois anos depois de sua promulgação, os artigos da LBI que garantem o direito à locomoção das pessoas com deficiência estão saindo do papel para as ruas em um ritmo lento, muito abaixo do que seria necessário.

O Brasil conta hoje com uma frota de cerca de 130 mil táxis. Em um mundo ideal, para este volume, a frota de veículos adaptados deveria ser de cerca de 13 mil táxis. Até aqui, o Brasil conta com um total de apenas cerca de 700 veículos adaptados circulando. Há iniciativas aqui e ali, mas o ponto é que, dos mais de cinco mil municípios brasileiros, apenas perto de 1% destes têm algum sistema de táxi que conte com carros adaptados com rampa para transportar um cadeirante. E naqueles em que esta frota existe, os números ainda estão abaixo do previsto em lei.

Na imagem, uma Spin Acessível com rampa que atua em uma frota de táxi, no município de Guarulhos – SP.

A cidade de São Paulo, por exemplo, com uma frota de aproximadamente 38 mil táxis, conta com apenas 200 veículos adaptados (somando-se aqui os táxis pretos e os tradicionais). Se levarmos em conta que boa parte destes veículos trabalha em regime quase exclusivo para o serviço Atende (Serviço de Atendimento Especial),  percebe-se um enorme vale entre a frota existente e a necessária para atender às demandas da população. Neste caso, para atender à LBI, a frota de táxis adaptados deveria ser radicalmente maior.

Outro ponto relevante a se discutir é a obrigatoriedade de manutenção da tarifa. Justo? Sim e não. Sim, se pensarmos no alto custo de vida que é imposto a uma pessoa com deficiência. Não, se pensarmos na lucratividade do taxista, que tem investimentos (adaptação do veículo) e custos operacionais (tempo de embarque e desembarque, busca de local acessível, entre outros cuidados que este tipo de transporte exige) maiores para prestar esse serviço, se comparados a um táxi convencional.

E se falamos de táxis, não podemos deixar de lado os serviços por aplicativos como o UBER, por exemplo, que hoje conta com 500 mil veículos em todo o Brasil, 150 mil apenas na Grande São Paulo. Aqui a questão é mais delicada, pois este tipo de serviço não se enquadra na LBI, a não ser de forma genérica, no artigo 48, que prevê que os veículos de transporte coletivo terrestre, aquaviário e aéreo devem ser acessíveis.

O fato é que, se a criação da lei foi um avanço, ainda temos muito a caminhar para garantir que ela seja colocada em prática, garantindo às pessoas com deficiência o direito à locomoção nas mesmas condições que as demais. Para que isso aconteça, as discussões, interações e cobranças, seja do poder público, seja das empresas privadas, devem ser constantes. É a garantia do direito de ir e vir, de táxi, aplicativo ou de carro alugado.



Monica Lupatin Cavenaghi é administradora de empresas e empresária, diretora comercial da Cavenaghi e Vice-presidente da ABRIDEF, Associação Brasileira da Indústria, Comércio e Serviço de Tecnologia Assistiva.

Inspiração e superação: conheça a história de Selma Ferreira

Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, ao longo da semana de 2 a 6 de março de 2020, compartilhamos histórias, vivências e experiências de 5 mulheres que combinam inspiração, empoderamento, determinação, força e superação! Acompanhe todas as histórias aqui no nosso blog e boa leitura 🙂


Tempo de leitura: 5 minutos
Escrito por Guilherme Rocha
guilherme@cavenaghi.com.br
@guigo.rocha


Aos 27 anos, Selma deu a luz a um menino chamado Victor Hugo, que aos 5 anos de idade, desencadeou crises convulsivas de difícil controle (epilepsia). A partir daí, a rotina hospitalar passou a ser frequente e, em uma das internações do Victor, conheceu uma criança de 1 ano com paralisia cerebral, abandonada pela mãe biológica. Diante dessa situação, ela fez uma promessa: “Se Deus me permitir levar o Victor Hugo para casa novamente, eu irei lutar pela adoção daquele menino”. Miguel – a criança da UTI – mal sabia que dentro de alguns dias, ganharia um novo lar, uma mãe corajosa e uma família especial.

Nas fotos, Miguel e Victor Hugo

5 anos se passaram e Selma viajava de Cuiabá a Ribeirão Preto eventualmente para realizar o tratamento do Victor Hugo. Nesse período, pelo alto custo do transporte por ambulância, conseguiram por decisão judicial “ganhar” o valor de uma adaptação e compraram uma Doblô Acessível para transportá-lo nessas viagens. Porém, durante esse processo em 2013, o filho mais novo Miguel teve uma parada cardiorrespiratória e não resistiu. 8 meses depois, às vésperas da chegada do carro adaptado, Victor Hugo ficou internado na UTI e, infelizmente, também veio a falecer.

Sem utilidade, ela tentou vender o carro, mas não conseguiu. Inevitavelmente, teve uma depressão pela perda das duas crianças, mas tomou uma decisão: começou a usar a Doblô Acessível para prestar serviço de transporte para os cadeirantes de Cuiabá, onde os transportava para hospitais, consultas, clínicas de terapia, escolas e passeios ao shopping. Conheceu novas pessoas e também prestava serviço social – muitas vezes não cobrava as corridas. Pela inexperiência no transporte, começou a ter prejuízo, pois cobrava um preço baixo para atender a população menos favorecida. Infelizmente, teve que vender o carro.

Até agora, já temos motivos suficientes para entender o motivo e a razão do título desse post, certo? Pois, não para por aqui: Em uma das visitas ao lar de crianças com algum tipo de deficiência, em Cuiabá, Selma conheceu a Andressa, de 5 anos e que tem uma paralisia cerebral, alimenta-se por sonda e não anda. Juntamente com a sua família, decidiram adotá-la. Logo após, teve uma atitude pra lá de empreendedora: profissionalizou-se, fez cursos e reorganizou-se financeiramente durante dois anos. Ficou esse tempo sem trabalhar, mas focou em sua saúde e nos cuidados com a Andressa. E após esse período, pegou suas economias e investiu em um novo carro adaptado: uma Spin Acessível para voltar ao trabalho que ela tanto gostava e que ajudava às pessoas que também precisavam.

Andressa, 5 anos, filha da Selma

“Trabalhar no táxi acessível alimenta meu espírito, pois eu posso contribuir para outras pessoas e famílias que passam pela mesma situação que eu”, comentou Selma, que também é casada e mãe da Yasmin, do Igor Henrique (filhos biológicos) e da Andressa, que já conhecemos.

Hoje, além de trabalhar no táxi acessível, ela tem planos de investir num segundo carro adaptado, conciliando retorno financeiro e trabalho social. “Eu quero ter mais uma Spin Acessível para aumentar a demanda de corridas e poder praticar um preço mais justo para atender um número maior de pessoas que precisam”, afirma.

Na foto, o sr. Jormindo (marido da Selma) e o Fabio Vinicius (equipe Cavenaghi) no dia da entrega da Spin Acessível


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Nos vemos no próximo post…
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Guilherme Rocha
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@guigorocha

Rosane, o opala adaptado e os movimentos em prol da inclusão

Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, ao longo da semana de 2 a 6 de março de 2020, compartilhamos histórias, vivências e experiências de 5 mulheres que combinam inspiração, empoderamento, determinação, força e superação! Acompanhe todas as histórias aqui no nosso blog e boa leitura 🙂


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Escrito por Guilherme Rocha
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“Há muitos anos atrás, falei pro Carlos (Cavenaghi) sobre um filme que o personagem dirigia uma Kombi em sua própria cadeira de rodas. Muitos anos depois, em 2018, procurei a Cavenaghi para comprar o Pegasus”.

Rosane Audi Cristofolini, 64 anos, é formada em psicologia pela universidade São Marcos. Na época da faculdade, em 1976, encontrou uma auto escola e iniciou o processo para tirar a sua CNH. Nessa época, ela teve o primeiro contato com a Cavenaghi e com o sr. Olevir (pai do Carlos Cavenaghi). Adaptou seu primeiro carro (um Opala bege) e depois de longos 5 anos, completou a faculdade e imediatamente começou a trabalhar. Nessa época, ela tinha força para se locomover com bengalas canadenses.

Nascida no interior de São Paulo, na cidade de Borborema, foi diagnosticada com Poliomelite aos 8 meses de vida, logo após perder seu pai. “Desde cedo, eu tive uma grande referência de mulher”, referenciando-se a sua mãe, dona Genoveva, que ficou viúva após 1 ano e meio de casada e encarou a doença de Rosane com muita autoestima. Até os 8 anos de idade, fazia 2 sessões de fisioterapia por dia a fim de recuperar e fortalecer o máximo de movimentos possível, pois a doença tinha comprometido seus membros superiores e inferiores. Aos 13 anos, iniciou um longo período de cirurgias ortopédicas. Foram 23 cirurgias no total. As últimas cirurgias, ela já estava na faculdade.

Na foto, Rosane e as primas, Marina e Celisa

Formou-se em 1981, um ano marcado pela luta das pessoas com deficiência a favor da inclusão social. Foi quando conheceu o seu futuro marido através de um programa de TV. Hilário Cristofolini também era cadeirante e um dos líderes que organizava os movimentos em prol dos direitos das Pessoas com Deficiência em todo o Brasil. Rosane juntou-se ao movimento pela inclusão e conheceu Hilário pessoalmente. Casaram-se em 1987 e ficaram juntos por 30 anos.

Nas fotos, Rosane e Hilário, na cerimônia de casamento

Cerca de 20 anos atrás, Rosane foi diagnosticada com Síndrome Pós-Pólio e tinha muitas dores, principalmente nos ombros e nas articulações. Passou a usar a cadeira de rodas motorizada. “É um conforto imenso, porém um grande desconforto na hora de guardá-la no carro”, ela conta. Em 2017, ficou sabendo através da internet que a Cavenaghi iria lançar o Pegasus e não pensou duas vezes: procurou o Carlos Cavenaghi para retomar o assunto do filme e verificar a possibilidade de conduzir uma Ecosport em sua própria cadeira de rodas.

“O Pegasus trouxe autonomia e liberdade pra mim, pois eu consigo entrar e sair do carro com facilidade. Hoje eu tenho uma vida tranquila, porém ativa e atarefada: sou aposentada, síndica do prédio onde eu moro e administro os cuidadores do meu padrasto, que tem 88 anos e convive com Alzheimer. Uso o carro para me divertir, ir ao médico, visitar as amigas e os parentes e pra ir aonde eu quiser, controlando meu esforço físico apenas para dirigir, sem depender de ninguém”.


Importante: A Rosane faz parte do projeto PEGASUS no BRASIL como unidade teste. Este projeto está em tramitação documental nos órgãos competentes. Para mais informações, entre em contato conosco: (11) 2380.3050.


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Guilherme Rocha
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Conheça a história de Iris Eliani Becker

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Iris e a filha Thais, nas Dunas da Lagoa da Conceição, em Floripa.

Iris Eliani Becker, 55 anos, mãe do Thiago (28) e da Thais (25) é formada em Serviço Social e dentre todas as atividades profissionais, o Serviço Social Forence e o Universitário foram onde ela mais gostou de atuar, trabalhando ao longo dos seus 30 anos de profissão. Para ela, ter um veículo sempre foi um recurso importante para ir e vir, pois otimizava o tempo e a rotina dela e dos filhos. Começou a dirigir muito cedo, aos 14 anos (“outros tempos”, conta Iris, rindo), o que ela fez questão de evitar durante a adolescência dos filhos, não os permitindo aprender e nem ter contato com o volante antes da idade permitida, a fim de gerar neles o senso de responsabilidade e de comprometimento com as suas próprias vidas e de quem estava em seu entorno. Thiago não hesitou e tirou carta quando completou 18 anos. Já a Thais, nessa mesma idade, optou em cursar um intensivo de francês, pois tinha planos de fazer um intercâmbio na França.

Em 2015, quando cursava o 6º semestre de Direito da Universidade Federal de Santa Catarina, Thaís sofreu um acidente de carro tendo uma lesão medular (C4, C5 e C6). “Com muita alegria no coração”, Iris abriu mão de sua vida profissional para se dedicar integralmente aos cuidados de sua filha. Após o período hospitalar e o início do processo de reabilitação, elas retornaram pra casa e morando sozinhas, o meio de locomoção também foi preponderante na rotina das duas, já que Iris realizava as transferências da Thais – da cadeira de rodas para o carro e vice-versa – para ir à fisioterapia e faculdade, o que aconteceu já no semestre seguinte, motivo pelo qual Thaís não perdeu nenhum semestre da faculdade. Nesse período, ela a acompanhava diariamente e nos dias de prova, transcrevia suas respostas. Além da faculdade, Iris levava e buscava a filha nas baladas, que mesmo depois da lesão, não deixou de curtir a vida, afinal segundo elas, após a lesão, “a vida não é melhor nem pior, só é diferente”.

Na foto, Iris com os filhos Thiago e Thais, na Ponte Hercílio Luz, em Floripa.

Ao longo do tempo, o esforço físico para realizar as transferências começou a impactar o dia a dia. Decidiram buscar por veículos acessíveis que pudessem contribuir para facilitar essa rotina. Através da mobilização de parentes e amigos, em 2019, conseguiram adquirir uma Spin Acessível da Cavenaghi, que trouxe um ganho enorme de autonomia, tranquilidade e mobilidade, além da praticidade e de mais qualidade de vida para as duas. No vídeo a seguir, Iris gravou um depoimento na hora em que veio retirar o carro transformado aqui na Cavenaghi. Confira:

Hoje, a vida de Iris e Thais está prestes a passar por mais uma grande mudança: em março de 2020, elas estão deixando a “Ilha da Magia” (Floripa) e vindo de mudança para São Paulo, pois Thais vai começar seu mestrado de Direito na USP, pesquisando sobre o direito das mulheres com deficiência.

Thiago e Thais, ambos formados pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC.

Ainda sobre a Spin Acessível, ela completa: “É uma pena que no Brasil, essa acessibilidade seja acessível apenas para uma pequena parcela da sociedade cujo poder aquisitivo garanta tal investimento. É preciso ter um incentivo por parte das autoridades, tanto na intervenção para melhoria e otimização dos custos para aquisição de um carro adaptado com rampa, quanto para elaboração de projetos e apoio às frotas de táxis acessíveis, possibilitando a autonomia das pessoas com deficiência que não tem condições para comprar um carro desses, mas que precisam e podem usufruir desse equipamento através de um serviço prestado, além de gerar oportunidades de emprego para novos motoristas”.

Na foto, Iris e Thais curtem o Pôr do Sol na Lagoa da Conceição, em Floripa.


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